O Vale do Paraíba e o Novo Ciclo do Reflorestamento
- Leandro Cagiano
- 26 de jan.
- 2 min de leitura
O ser humano tem o potencial de cuidar e proteger qualquer coisa se tiver conhecimento e envolvimento.
Em 2025 percorri o Vale do Paraíba em busca de imagens para a produção do livro: Vale do Paraíba – Natureza, Cultura e Sustentabilidade.
Um livro que investiga a paisagem, a economia e as escolhas feitas sobre esse território ao longo do tempo. O trabalho envolveu conversas e acesso a empresas, proprietários de terras, sindicatos rurais e agentes ambientais.
Desde a chegada dos europeus, o Vale foi atravessado por ciclos econômicos intensos. Café, leite, madeira, eucalipto. Cada fase deixou marcas profundas na paisagem e na Mata Atlântica que cobre os chamados “mares de morro”, expressão cunhada pelo geógrafo Aziz Ab’Sáber, filho da própria região.

Hoje, o cenário começa a mudar. Muitos produtores rurais perceberam que os caminhos adotados no passado não se sustentam. Proteger a floresta deixou de ser visto como obstáculo e passou a ser entendido como estratégia econômica.
“QUANDO A GENTE CUIDA DA NATUREZA, ELA RESPONDE.”
O Vale do Paraíba e o Reflorestamento
O reflorestamento com espécies nativas, a produção de sementes, frutos e mudas e o cuidado com o solo surgem como alternativas mais produtivas e menos custosas a longo prazo no Vale do Paraíba. Uma mudança de mentalidade que não apaga os erros do passado, mas aponta para um futuro possível .
Eucaliptos mortos quimicamente para dar lugar à Mata Atlântica e a nascente cercada do gado mostram duas mudanças importantes em relação a espécies comerciais que danificam o ambiente. O eucalipto já tem seu volume diminuído, e o gado é manejado de forma mais amigável ao solo e à vegetação.

Manutenção de mudas de palmeiras. Produtos da bioeconomia.
Em todas as propriedades que visitei onde as áreas de reserva legal foram recompostas, ouvi variações da mesma surpresa:
“Agora não preciso mais comprar água, ela brota da terra.”
“Os animais voltaram.”
“Antes eu trabalhava o dia inteiro. Agora tenho tempo.”

Programa de reintrodução da jacutinga em São Francisco Xavier. A espécie é uma das maiores dispersoras de sementes, beneficiando a Mata Atlântica.
Durante esse período fotografando a região, tive a sensação de ouvir a paisagem dizer: “Vocês tentaram do jeito humano. Agora vejam como funciona na minha maneira”.
E, pela primeira vez em muito tempo, o ser humano parece estar ouvindo. E, melhor, agradecendo.
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